segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Prostrado

Espinha dorsal côncava feito o mastro da bandeira nacional
O sol clarinho contido no peito vazio.

domingo, 6 de setembro de 2009

Linhas

De solstício em solstício e não é fácil
Amar de dia até o sereno erguer suas asas
Para que a primavera venha mais florida
E deixe-se alojar em ventos nos gurda-roupas.
Tentar fazer um dia de sol durar mais
E uma noite voraz se recolher lá pelas tantas da manhã
Quando olhos pardos despertam com as folhas caídas.
O dia, então, volta a ter cheiro de jornal e café de máquina.
Nada e nenhum botão que se aperte funciona da maneira como deveria
No replay. Tente re-agir, re-ensolarar-se
O coração é apenas um território que se estende
Do trópico de Câncer ao trópico de Capricórnio
Cortado ao meio pela linha do equador.

sábado, 22 de agosto de 2009

Esses olhos

Olhos de investigar
Instigantes pequenos olhos
Lentes vivas com um grau de sabedoria
Fazem contato com a minha força de espírito

São igênuos esses olhos
Num outro ponto de vista
Não dirfaçam sua limpidez
Iguais à janelas abertas
Dizendo ao bandido
- Pode entrar

E como são Negros!
Não quero escurecer
Um só segundo
E fico olhando

Antes eram sorrisos,
Lábios, dentes e línguas
Que em face a soberania
Dessas suas luas: duas
Dunam-se num piscar de olhos.

O olhar, no entanto
Deixa sem paradeiro
Esse meu coração
Cegado em cheio.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Filme pornô

Filme Pornô
É linguagem,
É meta - lingual
Língua calada falando
No obscuro
O obscenico

Vai, assim...
Vai, assim...
Assim, assim...
Vai, vai...

é ritmo
é rim
é ritmo
é rim

Estômago.

Educação
Do cacete
Na mão
O controle

Ficção
Ângulo
Fixação.
Ação!

Amor na película.
Solidão.

- Eu me lembro de você
E fico em ponto de bala
Assistindo a um bom filme pornô.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Palavra Morta

Falta-me o ar
Ensaio um grito
Falta-me a forma
Até mesmo um rabisco
Um esboço do que me sufoca
Falta-me forças nas entranhas
Para fazer vingar essa pequena vida
Meter pra fora tudo que pulsa nessas vísceras
Falta-me a precisão da dor aguda em bisturi
Rasgando o meio das minhas pernas
Uma pequena incisão bastaria
Para jorrar um mundo inteiro
Mas o alívio não vem
Fico pálido, vou perdendo o ritmo
(Que antes latejava na corrente)
Agora estou mais frio que uma frígida
Embalsamada num necrotério
E morro numa sala de parto
Com um filho fétido apodrecendo
Dormindo no meu útero estéril.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Absinto. (Música)

Pretty boy
A face like yours
Makes me Glad
Your Embrace Is fantastic
I love your eyes

Even though you´re all
Made by a Green Poison
There is something
I want you to taste,
Pretty boy with doll´s eyes.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rebelde sem Casa

Não me venha doutrinar, rapaz
Eu sou livre até pra me enganar

Me arrebato todos os dias
Em luas galáxias de vapor
Mil sois fios tensões
Tantas estrelas quanto enganos

Chuvas que deixaram de cair
Já não vejo mais todos os lados tão facilmente
E a sorte o tempo é que me traz
Outras voltas em outras casas,
Quartos-sala, novelas, gibis
Vejo vultos ao meu redor
E caminho com essa ideia nebulosa

Não me venha dizer que "tudo isso é mera coincidência"
Eu sou livre até pra te enganar
Pra te empurrar do vigésimo andar
Mandar você pra casa da sua estrada
Porque quem sabe onde ela termina
Não sabe de nada.