segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Tamarindeiro

Sigo um rastro e no entanto o meu intento de encontrar uma estrada cercada de tamarindeiros confunde às vezes o meu pensamento. Não sei se me entrego aos tamarindeiros ou se fico em casa, sentado à mesa, escrevendo artigos em folhas secas. E além disso, tem o mar lá fora. O mar é a voz doce do cantor que ouço no rádio; me tira os pés do chão e me faz viajar distante. Vivo num barco sem norte que navega tortuosas travessias e por isso mesmo busco os meus bosques para que me protejam as árvores, para que eu possa respirar.

Então me sento à mesa e escrevo fantasias sobre lugares do fundo da minha lembrança em folhas que voam pela sala. Fico a me perguntar se quando eu morrer ainda sonharei com o tamarindeiro? Terei eu as raízes firmes na terra e darei o meu fruto para alimentar outro alguém?

sábado, 23 de janeiro de 2010

Acalanto (Música)

Onde você vai
Meu passo vai logo atrás
Longe você foi
Meu acalanto vai
Meu acalanto vai
Perto como estou
Eu poderia mergulhar mais
Eu poderia mergulhar mais
E se um dia eu te faltar
O meu canto vai
O meu canto vai

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Não há como passar ileso pela vida
Seja você um cachorro de rua
Seja você um peixe de aquário

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O amor livre

Se me fazes falta
É porque te quero tanto
Te quero as falas às barbas
Os olhos à deriva
Atracados aos pensamentos leves

Que os meus braços
Possam dar-te espaço
Movimento
E as tuas pernas ao se truncarem
Encontrem neles amparo

E a força que tens
Nos conduza num caminho
Impossível e inestático
De infinita liberdade.

Candinheiro

Luz acesa do Sertão
A janta na mesa
O pote de lavar as mãos

Se soubesses o quanto que não sei, escuridão
Se soubesses o quanto me espantei
Ao ver o clarão

Brisa rota do sertão
Pudera eu cavar
poços fundos em minh´alma
me encantar e ver
o quanto que fará
novo homem em mim
cada punhado em minhas mãos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Prostrado

Espinha dorsal côncava feito o mastro da bandeira nacional
O sol clarinho contido no peito vazio.

domingo, 6 de setembro de 2009

Linhas

De solstício em solstício e não é fácil
Amar de dia até o sereno erguer suas asas
Para que a primavera venha mais florida
E deixe-se alojar em ventos nos gurda-roupas.
Tentar fazer um dia de sol durar mais
E uma noite voraz se recolher lá pelas tantas da manhã
Quando olhos pardos despertam com as folhas caídas.
O dia, então, volta a ter cheiro de jornal e café de máquina.
Nada e nenhum botão que se aperte funciona da maneira como deveria
No replay. Tente re-agir, re-ensolarar-se
O coração é apenas um território que se estende
Do trópico de Câncer ao trópico de Capricórnio
Cortado ao meio pela linha do equador.