No labirinto da sua casa eu sentia o meu desejo implodir em todos os cômodos. O medo inútil de revelar tamanha atração deu a minha voz um timbre demente, fruto de um som levado por uma respiração entrecortada como flash backs indesejáveis de um pesadelo bizarro: Eu quis lhe beijar. Ao mesmo tempo, eu tinha júbilos de satisfação pueril ao saber o quanto ele pode ser tão bom com essa tristeza calma no coração; e na sua alegria delirante e única de dançar displicentemente na copa-cozinha. Eu até me peguei olhando os seus olhos rasgados querendo me apaixonar, hora indo para cima deles, hora dissimulando tanto desejo. Já agora, a dor que me causou o seu não frente a minha incontrolável vontade, não é mais de tanto pesar diante de tantas outras dores que carrego comigo. Em sonho, desejo intimamente que o mundo seja uma continuação da casa dele, e a vida; sempre uma extensão de noites como aquela em que eu tocava harmônicos enquanto ele dormia.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Esmeralda, vermelho e amarelo-sol
Você entra e sai do seu carro-ônibus-taxi, você entra e sai dos mesmos bares e você acredita que esse lugar já é seu, mas você não conhece verdadeiramente esse lugar: até que a cadência de uma música já esquecida bata forte no seu peito; até que os beijos sejam vermelho-terra, fogo, ar e água; até que te levem para ver a sereia coroada numa rua, onde, no transpassar das suas calçadas de pedra seus pés te levarão com paciência.
Assim que se começa a conhecer esse lugar, assim que se tem samba de manhã cedinho, assim que se percebe o sabor do encontro do mar esmeralda com um rio vermelho pulsando vida.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
V
O ar é mais puro quando o dia amanhece o mar deitado na areia
O mar que nunca dorme à procura das margens depois dos arrecifes onde rebentará
Fazendo renascer cristalina inspiração de vida dentro do peito no filtrar da alvorada
E assim é a felicidade: espessa como os raios da manhã refletindo o primeiro azul
Fruto de um desvio e de um querer.
O ar é mais puro quando o dia amanhece o mar deitado na areia
O mar que nunca dorme à procura das margens depois dos arrecifes onde rebentará
Fazendo renascer cristalina inspiração de vida dentro do peito no filtrar da alvorada
E assim é a felicidade: espessa como os raios da manhã refletindo o primeiro azul
Fruto de um desvio e de um querer.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
III
Arte bem acabada como uma colcha de retalhos, ou, quem sabe, a de um artista morto antes de escrever o final daquele que seria seu melhor romance. O artista não cegamente alimenta-se do prato de imperfeições que lhe é oferecido pela vida e vê muito mais além desses aviões que cruzam a janela da sua sala. Criticar a arte para fazer pensar a arte e também para dispensar comentários. O homem sensível é capaz de abraçar tudo que se sustenta no limite de refletir emocionando-se e emocionar-se refletindo, ou simplesmente sentir a chuva que cai do lado de fora, chovendo, deveras, do lado de dentro da sua casa.
IV
(Jura dos que ainda não se encontraram)IV
Alegre-se o teu coração com todo meu sofrer
Que eu também contentarei o meu com o teu
Pois os abismos e pedras colocados no caminho
Serão para cruzarmos o futuro no mesmo tempo.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Mais contradições
I
É preciso ficar atento ao fluir dessas ideias
Vá em companhia delas a uma sala angular toda espelhada
(Sem nenhuma pressa)
Caminhe com os seus pensamentos e perceba todos os enganos
II
Não acredite em máximas
Não passam de mínimas preguiçosamente pensadas
Desrespeito vil à contraditoriedade humana
Falta de caráter!
A única máxima aceitável é a do amor por todos os lados.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Reivenção
O vermelho rouco vociferou uma música violenta d´uma tempestade que reivindicava um mar de lanças e de touros. Ardia sulfúrica glande. O gozo queimava todas as chagas e fim: sem amor, nem linguagem, apenas socos aerodinâmicos na consciência que abriram feridas deixando jorrar possibilidades.
Ele ficou chapado de vida e de contradições.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Amor andrógino
As mãos pequenas e convexas de um homem alisam os cabelos enrolados que jorram desde a nascente escondida do seu fluxo. Sob a pele áspera que cobre a silhueta feminina há algo escuso deixando meu coração de sobreaviso. A voz grave me chama como o canto de uma sereia, me envolve e me leva à execução do plano da sua dissimulação. Atrás da porta, me pressionando contra uma cômoda de moguino, no jogo certo de uma luz perigosa que não deixa clara sua beleza confusa: me domina. Urra de prazer pela madrugada, cavalga como uma ninfa e me lava os peitos com o leite da sua ambiguidade. Contraditoriamente dorme encolhido em meus braços entorpecido. É indefinido o vestígio agridoce que sai da sua pele, mesmo assim, quando está de pé: é lindo vê-lo passar.
Assinar:
Postagens (Atom)