Saudade é quando a casa está no
mesmo lugar de sempre, todavia os móveis conversam entediados resmungando a
falta da alegria que chegou e deixou a roupa pendurada vazia e sem sentido quando
faltam os dengos que vestem todos os espaços de ternura. Saudade por tudo
aquilo que ainda está pairando pelos vãos do quarto e que vejo no campo da
minha janela. Uma saudade daqui de casa é, por sorte, bem próxima; e não só é feliz,
como também é a saudade de estar finalmente em casa.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Escatológica
O mijo dele misturado com o meu deixa um cheiro de embriaguez
no banheiro. Enquanto o seu pau esguicha na trama macia do tapete embebido de lavandas, eucaliptos e pinho-sóis, esqueço que sou só mais uma puta nessa vida que me dá o troco por
eu querer um fosso de liberdade.
Ele, então, dá descargas nos meus nervos quando aciona a válvula da sua péssima mania de querer manter tudo na privacidade. Pobre homem de portas fechadas para a essência dos aromatizantes cheiro-de-flores-do-campo que perfumam, sem discernir, todos os sanitários, desde a casa rica até a estação rodoviária mais decadente da cidade!
Toda essa conversa de merda privada me dá reviravoltas no estomago e, inevitavelmente, afrouxo os botões da minha saia bem justa cor-de-vômito, tiro um espelhinho da bolsa, saco meu batom tutti frutti e saio sem lavar o meu corpo daquilo que ele chama de promiscuidade.
Sigo pelos acostamentos e fodo nas boleias sujas com animais que arrombam meu corpo, enfiam dedos imundos na minha garganta, me molham com o suor do seu trabalho e me olham com olhos dementes onde me vejo batizada pelas luzes das estradas ao mesmo tempo em que os carros passam furiosos sem notar o esconderijo mais profundo da minha castidade.
Ele, então, dá descargas nos meus nervos quando aciona a válvula da sua péssima mania de querer manter tudo na privacidade. Pobre homem de portas fechadas para a essência dos aromatizantes cheiro-de-flores-do-campo que perfumam, sem discernir, todos os sanitários, desde a casa rica até a estação rodoviária mais decadente da cidade!
Toda essa conversa de merda privada me dá reviravoltas no estomago e, inevitavelmente, afrouxo os botões da minha saia bem justa cor-de-vômito, tiro um espelhinho da bolsa, saco meu batom tutti frutti e saio sem lavar o meu corpo daquilo que ele chama de promiscuidade.
Sigo pelos acostamentos e fodo nas boleias sujas com animais que arrombam meu corpo, enfiam dedos imundos na minha garganta, me molham com o suor do seu trabalho e me olham com olhos dementes onde me vejo batizada pelas luzes das estradas ao mesmo tempo em que os carros passam furiosos sem notar o esconderijo mais profundo da minha castidade.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Porteira
O amor é árvore viçosa e firme no chão do
deserto? Ou vento que chove e duna um mar de areias secas? O que tive de
minha mãe era forte e frutífero como a seiva do seu peito, o sisal do seu
ventre e o jenipapeiro no cerrado do seu abraço. O que tive desse cabra era
disperso, pronto para voar sobre açudes, correr a galope o vento barroso na
anunciação da estiagem. (...) O amor é água e é barro; vento para secar o barro
e a água para molhar o barro; barro para encher de água e acalmar a sede; água
para ficar de pé e caminhar por um chão, um chão de barro, um chão de recomeço
passado do pai até o filho; é um silencioso e infinito sertão visto pelas
frestas de uma meditativa porteira.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Like a Rolling Stone
Se não houver um livramento eficaz desse invólucro
ao redor de mim; das marcas, das manchas e dos sinais
Se é utópico ter uma vida contrária a predestinações
Se for impossível lutar contra uma avalanche de vontades,
vou continuar o movimento individual que se acumula desde o íntimo
lutando e rolando morro abaixo like a rolling stone.
sábado, 17 de novembro de 2012
Sem saber que me confesso completamente seu
amigo quando rimos; sou mais homem, mais menino, correndo
na highway numa alegria explícita que eu velo de cuidados para não deixar a pureza se perder no vício de uma ilusão qualquer, tentando prolongar a felicidade e a sorte de momentos
em que duas pessoas apenas se transmutam.
Banho translúcido
Tanto querer que o rio retroceda
Quanto temer a cheia furiosa das suas águas
Fará desembocar numa vida de renuncia
É como morrer sedento todos os dias num oásis
Mas a água potável me lava por inteiro
E descama as marcas e a história em mim
Como se lapidasse uma pedra devagar e silenciosamente
Até que se desfaça toda gruta, toda casa, toda casca...
Mas a água potável me lava por inteiro
E descama as marcas e a história em mim
Como se lapidasse uma pedra devagar e silenciosamente
Até que se desfaça toda gruta, toda casa, toda casca...
Assinar:
Postagens (Atom)