terça-feira, 28 de maio de 2013

I

A voz  do outro lado do gancho
Estende as despedidas repetidamente
Num volume sonoro doce e fragmentado, 
Mexe com o realismo e promove na terra
A única primavera que já houve numa noite de maio.
Eu que sou tão liricamente urbano 
Transcendo, por alguns instantes, até ele,
através da linha telefônica...

me parece mais um trote da vida.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A enchente contorna a minha casa
Enquanto as feridas viram sumo
Aprendi a velejar pelas minhas emoções
E mergulho se a chuva faz o rio transbordar.  

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sabe uma das poucas alegrias que um cara ainda pode gozar?
Ter a consciência do quanto ele foi moldado
Para ter uma finalidade prática na vida coletiva
E ainda assim estar nos lugares pisando cada milímetro
Dos seus pés no chão, sorrir distraidamente,
Bater um papo com os amigos, ter grandes amigos para rirem de você
E fazer você lembrar que tudo não passa de uma grande bobagem
Tomar uma cerveja gelada, comer e ficar satisfeito
É qualquer momento em que você se deixa levar e não fica dentro de nenhum invólucro
Ideológico, você é apenas você e todos vão te achar
Lindo, mesmo aqueles mais recalcados que não tem coragem de assumir,
Nem com o olhar, o quanto você está radiante, mas dentro deles, saiba:
Mora a inveja disso que você tem
De verdade é onde você esquece de tudo e principalmente:
É onde o mundo não pode te alcançar nem te ferir.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Devoção-subversão


A devoção é a redenção
E o declínio de um homem,
É a arma do negócio
Do pacto de consórcio de alma
Mas a minha está a salvo
Porque é toda sua.

Rondando a casa dela
Sem que ninguém acordasse
Olhou-a o mais firme nos olhos
Pousou na sua face e encarou aquela respiração
Buscou enigmas no fundo da pele
Sobrepostos entre os dedos
Ou em alguma atividade não explicita da alma
Puxou uma cadeira
Para a esperança
Esperar.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

"PLANTAÇÕES EM ESTUFAS

Aqui estão as abelhas que vão fazer a diferença em sua plantação em estufa, como essas abelhas possuem o ferrão atrofiado, elas não picam, e qualquer um pode trabalhar com elas, são mansas e amáveis. Não sendo necessário usar nenhum tipo de proteção. "

(Anúncio de um site sobre criação de abelhas)


I

Eu vivo pela imponência desnorteante das luzes
De uma cidade viva e real 
Com pessoas reais, necessitadas de
Aperitivos que aos poucos
Vão erradicando suas fomes
Enquanto um punho cerrado
Se choca contra uma grande mesa
E o garçom continua espirituosamente
Chacoalhando  as bebidas sobre a palma da sua mão

Os meus olhos, que ardem diante de tanta luz, 
Constantemente embriagam-se dos sentimentos
Do meu coração e o meu corpo febril está de acordo com um mesmo ideal
O que, ainda assim, não impede essa imenso clarão onírico de me cegar  


II

Beijo com a insistência do louco o hipotético do amor
Como o pólen desperdiçado todas as tardes
Em uma única e constante flor, beijada pela boca de uma abelha operária
Que tenta fazer o seu mel na solidão de esperar em silêncios horizontais
Como que guardasse no vértice dela mesma a ultima possibilidade
De fazer um favo de mel dourado como o sol
Ou uma gota espremida de esperança

Belas paisagens de campos de muitas flores