Flores num canteiro
Meninos-sol correm
Entre os eucaliptos vão-
Vem madrugada ribanceira
Ribeirão, ribeirinho, rio
De carneiros em portais
(O que há em mim
Que não simula?
E o que tem em ti
Que não esconde
De olhos apurados?)
Ao despencar da aurora
Até o fim dos dias: ardente
Nas horas amargas do ser:
Noite escura, cravo e leite
No dedo do destino
A língua do mundo
Lambe a inocência.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
Desatando-nos
O corte não se faz
sem morrer de vagar
por um túnel no fim
do fim de outro túnel
É a agonia de quem correu
Não para encontrar
Mas porque encontrou
A cadência da vida
Mas agora os ponteiros foram amputados
Tornando o tempo tão palpável
Quanto a camisa que eu visto todos os dias
Sem gravatas e sem nós
sem morrer de vagar
por um túnel no fim
do fim de outro túnel
É a agonia de quem correu
Não para encontrar
Mas porque encontrou
A cadência da vida
Mas agora os ponteiros foram amputados
Tornando o tempo tão palpável
Quanto a camisa que eu visto todos os dias
Sem gravatas e sem nós
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Novas passadas com o intuito de cambiar o lirismo num chão mais duro, uma entrada nos sertões do Brasil. É pé no solo seco-rachado. A fonte se petrificando, virando caverna escura, úmida, forrada em seu teto por estalactites.
Caminho para encontrar a lucidez do fiifó frente ao olhar do artesão que remenda os tecidos rotos e olha pela janela da sua casa o mar aberto que cobre a sua cabeça. Homem calejado pela vida, alma de artista, olhar perdido, amores cactos.
Caminho para encontrar a lucidez do fiifó frente ao olhar do artesão que remenda os tecidos rotos e olha pela janela da sua casa o mar aberto que cobre a sua cabeça. Homem calejado pela vida, alma de artista, olhar perdido, amores cactos.
domingo, 18 de setembro de 2011
Homo verticales
É céu de um dia de praia
No engarrafamento
Os raios de sol tocam a retina
E subtamente eu os sinto, com clareza,
Iluminar o abismo que há dentro de mim.
No engarrafamento
Os raios de sol tocam a retina
E subtamente eu os sinto, com clareza,
Iluminar o abismo que há dentro de mim.
Palavras esquecidas
O meu toque não te toca mais
As palavras não te encontram mais
Minha pele já não sorve a trama da sua
Meu desejo não te encanta mais
Meus demônios tolices demais
Você vagamente vê os ponteiros se partirem
O meu tempo é estreito demais
Meu sorriso triste demais
Me sustento numa rocha a se esvair feito pó
O meu céu é escuro demais
Meu quintal revolvido demais
As estrelam cairam todas de uma vez
Eu não tenho parede nem cais
Eu não lembro, mas lembro demais
Eu não vivo, não digo e sei
Você nunca saberá o quanto.
As palavras não te encontram mais
Minha pele já não sorve a trama da sua
Meu desejo não te encanta mais
Meus demônios tolices demais
Você vagamente vê os ponteiros se partirem
O meu tempo é estreito demais
Meu sorriso triste demais
Me sustento numa rocha a se esvair feito pó
O meu céu é escuro demais
Meu quintal revolvido demais
As estrelam cairam todas de uma vez
Eu não tenho parede nem cais
Eu não lembro, mas lembro demais
Eu não vivo, não digo e sei
Você nunca saberá o quanto.
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