segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Tachos
Um Deus com olhos engrenados,
Olhos da Laranja Mecânica
Tiranos cilhos emborcados
Feito uma boca armada até os dentes
Contra o mundo
Quero me refestelar no fundo quente
marrom-açúcar dos teus olhos.
- Como a vida pode ser impiedosamente doce!
Olhos da Laranja Mecânica
Tiranos cilhos emborcados
Feito uma boca armada até os dentes
Contra o mundo
Quero me refestelar no fundo quente
marrom-açúcar dos teus olhos.
- Como a vida pode ser impiedosamente doce!
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Maledicências nº II
Minha palavra é amor
Amor apenas
Quando cala e reverbera
Quando ataca e quando erra
Não é metálica, precisamente cirúrgica
Mas fala do eterno não dizer da alma
Aprisionada viva em sarcófago úmido
Selado a raio com símbolos de navegações
Feitos por tiranas criaturas sem olhos
Vindas do mar negro sobre corais de ouro
O vento sopra tão escasso
Que não leva o grito estanque
Mover-se é tarefa lúgubre
Ferir a superfície dura com as próprias mãos:
O único e desesperado reverso
Do corpo d´minh´alma
Contra asfixiante prisão!
Eis que na luta submersa
A alma exausta triunfa.
Por um instante celestial:
Balé de folhas abismais
(Amar é uma conversa silenciosa
Noite escura a dentro
De mãos afagando mãos)
Amor apenas
Quando cala e reverbera
Quando ataca e quando erra
Não é metálica, precisamente cirúrgica
Mas fala do eterno não dizer da alma
Aprisionada viva em sarcófago úmido
Selado a raio com símbolos de navegações
Feitos por tiranas criaturas sem olhos
Vindas do mar negro sobre corais de ouro
O vento sopra tão escasso
Que não leva o grito estanque
Mover-se é tarefa lúgubre
Ferir a superfície dura com as próprias mãos:
O único e desesperado reverso
Do corpo d´minh´alma
Contra asfixiante prisão!
Eis que na luta submersa
A alma exausta triunfa.
Por um instante celestial:
Balé de folhas abismais
(Amar é uma conversa silenciosa
Noite escura a dentro
De mãos afagando mãos)
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O Vaso
O vaso d´água sinuoso da mulher esconde as curvas que dão nos caminhos onde apenas os mais intrépidos se arriscariam a ir. O seu coração de barro precisa ser molhado todos os dias com água límpida, pois terrivelmente secaria.
Os meninos vão-se batendo os pés na poeira. O vaso do canto da sala vai parar no centro da mesa e volta a reinar entre as cadeiras, a porcelana e a seda chinesa. No primeiro pedaço de noite: a mulher, o lustre o vaso e a mesa. Ela acende uma vela para o santo, ela faz uma prece para os seus.
Seis da manhã põe-se de pé e vai logo ali no quintal buscar margaridas e um pouco d´água na cozinha, coroa o vaso com flores e encharca o seu coração de uma nova alegria.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Flores num canteiro
Meninos-sol correm
Entre os eucaliptos vão-
Vem madrugada ribanceira
Ribeirão, ribeirinho, rio
De carneiros em portais
(O que há em mim
Que não simula?
E o que tem em ti
Que não esconde
De olhos apurados?)
Ao despencar da aurora
Até o fim dos dias: ardente
Nas horas amargas do ser:
Noite escura, cravo e leite
No dedo do destino
A língua do mundo
Lambe a inocência.
Meninos-sol correm
Entre os eucaliptos vão-
Vem madrugada ribanceira
Ribeirão, ribeirinho, rio
De carneiros em portais
(O que há em mim
Que não simula?
E o que tem em ti
Que não esconde
De olhos apurados?)
Ao despencar da aurora
Até o fim dos dias: ardente
Nas horas amargas do ser:
Noite escura, cravo e leite
No dedo do destino
A língua do mundo
Lambe a inocência.
domingo, 2 de outubro de 2011
Desatando-nos
O corte não se faz
sem morrer de vagar
por um túnel no fim
do fim de outro túnel
É a agonia de quem correu
Não para encontrar
Mas porque encontrou
A cadência da vida
Mas agora os ponteiros foram amputados
Tornando o tempo tão palpável
Quanto a camisa que eu visto todos os dias
Sem gravatas e sem nós
sem morrer de vagar
por um túnel no fim
do fim de outro túnel
É a agonia de quem correu
Não para encontrar
Mas porque encontrou
A cadência da vida
Mas agora os ponteiros foram amputados
Tornando o tempo tão palpável
Quanto a camisa que eu visto todos os dias
Sem gravatas e sem nós
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